quinta-feira, 27 de setembro de 2007

Vitrine da Folha

Como há muito tempo não fazia aos fins de semana, debrucei-me, com ares de tédio, na Folha de S. Paulo do último sábado. Uma chamada de capa me chamara a atenção. Um novo caderno estava sendo lançado. Corri entre todas as folhas e enfim achei a novidade.
Vitrine. É esse o nome do caderno. "Leve vida para casa", o título da matéria principal. Uma cadeira recoberta com tapete de grama, a foto de capa. Ainda fiquei desconfiada. Será um caderno nos moldes da Revista da Folha? Ou seja, várias materiazinhas bestas para tentar convencer o leitor a passear pelos vários anúncios? Enganei-me.
Enxuto, clean, colorido e fútil. Uma fresta de ar fresco no jornal cheio de opinião sobre tudo e todos. Até que enfim podia respirar. E saber de outras coisas que também me interesso. Compras e novidades no mundo do consumo. Por que do que adianta uma publicação para apenas preencher-me de "conteúdo opinativo" se o que faço no fim de semana é passear por vitrines, experimentar novas delícias gastronômicas e desejar um mundo de coisas?
Gostei. Ainda é um caderno que tem muita coisa para amadurecer, mas acertou em cheio na escolha do tema. Agora é esperar o próximo sábado para conferir.

terça-feira, 5 de junho de 2007

O Papa na mídia digital

Meio de comunicação de fácil acesso, a internet tornou-se amplo espaço para a difusão de informação. O jornal impresso ficou velho demais. Fatos do dia anterior representam um passado muito longínquo para um público ávido por instantaneidade. É nesse contexto que surgem megas coberturas de grandes eventos como a vinda do Papa ao Brasil.
Os sites noticiosos prepararam-se para não perderem um só gesto do sumo pontífice e da multidão que o cercaria. Jornalistas do site Terra, que geralmente observam os acontecimentos da redação, tiveram quatro dias para sentirem o cheiro das ruas; do bom e velho asfalto. Coerente com seu formato, esse jornal on line priorizou a cobertura minuto a minuto.
Nesse contexto onde a regra básica era quantidade de notícias, relevância de assunto não foi um quesito fundamental. Quase toda a totalidade das frases (esperadas) de Bento XVI ganharam a capa e estavam na manchete principal. Na cobertura de rua, em que eram noticiadas a expectativa e reações dos brasileiros, personagens como vendedores ambulantes (também esperados para esse tipo de evento) foram notícia. Por outro lado, a notícias de prestação de serviços foi um ponto positivo.
A Folha On Line fez uma cobertura mais crítica da visita do papa. Manchetes como “No Brasil, papa mostra carisma sem deixar de lado discurso conservador” e “Visita do papa provoca reações mistas de outras religiões” eram comuns. Na cobertura de rua, a ousadia e o inusitado nortearam a busca dos repórteres por notícias. As chamadas “Panfleto eleitoral com rosto de Maluf circula em evento do papa” e “’ Eu uso camisinha’, diz cartaz diante do papa no Campo de Marte” provocavam o leitor.
O ponto alto do Terra foi a cobertura televisionada. A TV do site permitia ao leitor/espectador acompanhar ao vivo os discursos do pontífice. Bom exemplo da convergência das mídias ainda nos seus primeiros passos.
Como ficou explícito a cima, as constatações do professor Salaverría sobre mídias digitais são muito pertinentes. Aceleração na produção de notícias e ruptura da pauta diária estão presentes não só em acontecimentos inesperados como 11 de setembro e 11 de março. A cobertura da vinda do Papa foi mais uma oportunidade para os meios de informação digital experimentarem formas de apuração e veiculação da notícia.